Uma conversa com Henry Timms e Asha Cunan, criadores do #diadedoar

No dia 5 de outubro, a Mobiliza foi ao lançamento oficial do #diadedoar, uma ampla campanha com o objetivo de promover a cultura de doação no Brasil e no mundo, realizado pelo “Movimento por Uma Cultura de Doação”. Este ano, os organizadores trouxeram Henry e Asha para uma conversa com representantes de várias organizações.

Nós conseguimos uma entrevista exclusiva com ambos e com Marina Pechlivanis, da agência Umbigo do Mundo, parceira da iniciativa e responsável pelo conceito da campanha brasileira.

Mobiliza – O #diadedoar segue para o quinto ano. Quais as expectativas de resultados da campanha no mundo e no Brasil para 2016?

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João Paulo Vergueiro, da ABCR, abriu o evento, realizado na sede do Insper

Henry Timms – Globalmente, a campanha está crescendo. Aumentou o número de países que adotaram a iniciativa. No entanto, ao mesmo tempo, as ações acontecem cada vez mais localmente, customizadas às realidades e necessidades específicas. No Brasil, ela se dá de um jeito um pouco diferente. Existe aqui uma energia, um empreendedorismo social que se destacam. Vale lembrar que este ano os olhos de todos se voltaram para este país. Que bom que agora esse olhar vai ser direcionado à doação.

Marina Pechlivanis – No Brasil, queremos que a campanha se propague em larga escala. Nossa intenção, por meio do site e de outras ações, é engajar agências de propaganda e marketing, as promocionais e as demais focadas com a comunicação para que envolvam seus clientes na iniciativa. A campanha não é controlada por um veículo de comunicação. Ela é de todos, para impactar o maior número possível de pessoas. Desejamos que essa visão de propriedade mude. Usamos como inspiração uma campanha realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre diabetes, que tem esse tom.

Mobiliza – Uma pesquisa feita pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), em parceria com o Gallup, identificou que cerca de 50% da população brasileira fez algum tipo de doação em dinheiro, em 2015. Dentre os que não as fizeram, 19% afirmaram não ter razão para isso e 18% disseram não confiar nas organizações. Como o #diadedoar pode contribuir para que os não doadores revejam sua posição?

Asha Cunan – Essa questão tem duas pontas. A primeira diz respeito a como se comunicar com essas pessoas que nunca se imaginaram doadoras. É preciso mostrar a elas que doar é muito bom, traz prazer, gera transformação, tem vantagens espirituais, físicas e emocionais, a ponto de os indivíduos não deixarem mais de doar. A segunda ponta está relacionada às ONGs. Elas precisam se comunicar melhor tanto com quem lhes dá recursos como com os que não doam. A campanha pretende fazer essa mudança nas duas pontas, sendo criativa, inovadora, leve, divertida, ou seja, engajar as pessoas de forma diferente, pelo que é bom e não pelo que é ruim.

Mobiliza – Nos EUA, o #diadedoar foi criado em uma época de redução das doações, mas no Brasil ele se insere em uma sociedade em que não existe uma cultura de doação. Como a campanha pode se consolidar levando em conta essas diferentes realidades?

Henry – Uma das boas oportunidades em uma democracia é a possibilidade de se criar novos rituais. Um trabalho como este, de estimular a doação de uma forma positiva, pode construir uma nova tradição, ano após ano, envolvendo mais organizações que, por sua vez, servirão de inspiração a outras, que inspirarão outras, e assim por diante.

Mobiliza – Existe alguma novidade na campanha deste ano?

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Asha Cunan, cocriadora do #diadedoar

Asha – Além da entrada de novos países, que oficialmente adotam o dia, há outras nações que estão se engajando informalmente. Nos EUA, a quantidade de campanhas nos bairros e nas grandes empresas triplicou. O bacana é que muitas corporações não nos procuram. Elas se apropriam dos materiais e desenvolvem suas ações, porque não precisam ser guiadas por nós, o que é um dos objetivos da iniciativa. Também temos visto campanhas darem muito certo porque a empresa adota uma causa e tem uma celebridade influente como parceiro e porta-voz dela.

Henry – Quando começamos, o engajamento se limitava a pessoas “normais” e empresas locais. Isso chamou a atenção de empresas maiores e de celebridades. Percebemos que no Brasil essa dinâmica também está acontecendo.

Marina – Este ano todo o conceito da campanha é leve, divertido, com foco nas redes sociais, falando com os diversos públicos, utilizando uma linguagem universal, mas de um ponto de vista mais jovem, mais lúdico. Queremos experimentar esse formato mais direto, objetivo, interativo, com um “clique aqui e faça sua doação” no lugar de textos longos e informativos. Também estamos criando tutoriais com um roteiro básico para quem quer implementar o #diadedoar na sua ONG, na comunidade. Acreditamos que esse formato vai facilitar muito a adoção da proposta e o engajamento. Não vamos pelo lado do “coitadismo”, mas do encantamento que gera o ato de doar.

Asha – Não é só o #diadedoar que deve seguir essa linha. Para as ONGs essa abordagem é muito importante, ou seja, ressaltar as coisas boas, o lado positivo, não ficar promovendo o negativo, mas o sentir-se bem ao fazer isso.

Mobiliza – Vocês veem diferença entre o #diadedoar no Brasil e de outros países?

Henry – A forma como vocês estão comunicando é bem diferente. A filantropia, em todos os lugares, é relacionada a pessoas mais velhas. Aqui a campanha traz uma renovação e investe no doador do amanhã. Muito bacana essa linguagem.

Mobiliza – O que mudou desde o primeiro ano da campanha?

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Henry Timms, criador do #diadedoar

Henry – Eu fiquei emocionado quando entrei aqui e vi os banners, os bottons. O que mudou foi essa apropriação. Éramos poucos quando começamos e hoje as pessoas se engajam, assumem para si as ações. É incrível!

Mobiliza – Como surgiu a ideia de fazer essa ação?

Henry – Quando a gente tem o primeiro filho, duas coisas acontecem. A primeira é que não dormimos mais. A segunda é querer um mundo melhor. Essa foi a semente do #diadedoar.

 

No Brasil, o #diadedoar será realizado em 29 de novembro. Todas as organizações são convidadas a participar. As peças da campanha, ferramentas, tutoriais e outras informações estão disponíveis no site www.diadedoar.org.br
Participe, implemente na sua ONG, ajude a fomentar uma cultura de doação que mostre aos cidadãos a importância das causas, do seu fundamental apoio ao financiá-las e de como essa prática pode gerar prazer, autorrealização e fortalecer a responsabilidade de todos em construir uma sociedade empática, mais justa e digna.

Dia de Doar: Quem tem coração doa e quem doa transforma!

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