Pesquisa traça perfil, expectativas e preferências do captador de recursos

O último Censo da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) entrevistou 356 associados para identificar características, habilidades e carências do profissional responsável em alavancar a sustentabilidade financeira das organizações da sociedade civil.

A maioria dos que responderam à pesquisa (27,19%) atua no setor há mais de 10 anos, sendo atualmente dirigente, funcionário ou voluntário da ONG (66,67%). A área que abarca a maior parte desses profissionais de captação de recursos é a de assistência social (53,23%), seguida pela de educação (41,94%). Entre os que revelaram a idade, 55,71% estão na faixa dos 31 a 50 anos. A maior parte dos respondentes tem especialização (44,9%) e é graduada em Administração (27,1%).

“O tempo de experiência dos profissionais, sua faixa de idade, idiomas falado, nível educacional etc. são características com poucas alterações no decorrer das edições do Censo”, explica João Paulo Vergueiro, da ABCR. Para ele, as próximas edições devem olhar, com mais atenção, a remuneração do profissional. “É preciso criar uma pesquisa mais ampla e qualificada sobre a remuneração que o captador recebe, distinguindo-se cargos, regiões geográficas, porte das organizações, para que possamos ter um quadro completo e fidedigno desse item específico em nosso país”, defende.

João Paulo Vergueiro, da ABCR
João Paulo Vergueiro, da ABCR

Interessante perceber que, quando perguntados de que forma definem o seu trabalho, 36,67% disseram fazer parte e serem cocriadores da área de captação de recursos, ainda em construção. Outra parte (31,65%) é formada por dirigentes das ONGs que tiveram de assumir, também, a captação.

Quando o assunto envolve as dificuldades encontradas pelos captadores, o primeiro impasse, com 45,16% das respostas, está relacionado aos entraves legais e fiscais do País, que não estimulam as doações.
Pedro Espinoza, Diretor de Fundraising do Greenpeace, relativiza essa dificuldade. Para ele, depende das fontes de captação das ONGs: “Muitas organizações no Brasil são financiadas através de doações de empresas e governos, então os incentivos fiscais ajudam a ter uma melhor captação de recursos. O Greenpeace, no Brasil e no mundo, é exclusivamente financiado por doações de pessoas físicas, a gente não pede dinheiro a empresas ou governos porque temos uma independência política e econômica que nos permite desenvolver o nosso trabalho de forma eficiente e

Pedro Espinoza, do Greenpeace
Pedro Espinoza, do Greenpeace

transparente. Para o Greenpeace, esses impedimentos legais e fiscais do País não são um ponto de entrave. Em 2016, por exemplo, crescemos 40%, se comparado ao ano anterior, em receita e número de doadores”.

Outra dificuldade, para 43,55% dos respondentes, é a falta de tempo para dedicar-se à captação, já que nesse grupo é preciso dividir-se para realizar outras tarefas. Ausência de profissionais qualificados, de ferramentas gerenciais adequadas, falta de profissionalismo das organizações e pouco recurso para investimento foram os itens apontados por mais de 30% dos pesquisados.

Douglas Bordini, Gestor de Desenvolvimento Institucional da ONG ABCP (Associação Beneficente e Comunitária do Povo), enumera mais obstáculos, como a falta de conscientização da importância da captação por todos, a começar pelo corpo diretivo e conselho, passando pela operação da instituição. “Outro ponto é a falta de foco. Estou há dez anos na minha ONG. Participei da fundação e sou Gestor de Captação há quatro. Ao longo desse tempo, surgiram outros projetos, cada um para um público alvo diferente, mas sempre sob a responsabilidade de uma única equipe. Esta realidade está mudando, com o novo presidente, e temos implantado uma nova visão, o que vem gerando resultados positivos na área operacional e na própria captação de recursos”.

Cecilia Barros, Gerente de Mobilização e Captação de Recursos da Oxfam Brasil, acredita que o profissionalismo e a capacitação também requerem uma maior dedicação do próprio captador: “Considero planejamento uma chave para

Cecília Barros, da Oxfam
Cecília Barros, da Oxfam

o sucesso do captador, e que os dados de experiências bem (e também mal) sucedidas são os elementos da melhor escola de captação. Aprender com o que já foi feito, aperfeiçoar e dar escala a ações já realizadas no Brasil e em todo o mundo são cruciais para a aprendizagem. O benchmark vai além de outras ONGs. Temos muito que aprender também com as empresas e com governos. O que mais me apoia na minha formação é o compartilhamento de experiências (o que inclui cursos diversos e participação séria em eventos) e muita leitura”.

 

Fixo, bônus ou comissionamento?

A remuneração fixa, previamente combinada, é a realidade de 54,84% dos captadores. De um lado, este dado indica uma crescente profissionalização das instituições, que contratam funcionários para a área. De outro, é preciso avançar, já que 25,81% disseram não receber nada pelo trabalho de captação. No entanto, a maior parte dos entrevistados (43,88%) considera que o ideal seria somar a remuneração fixa pré-determinada à bonificação por resultados.

Douglas Bordini, da ABCP
Douglas Bordini, da ABCP

Douglas Bordini concorda. “Creio que o ideal sejam revisões periódicas, de acordo com os resultados alcançados, e até mesmo bonificações pontuais ‘pré-alinhadas’ como fator motivacional e de desenvolvimento profissional. Sou contrário ao comissionamento, pois a motivação principal do captador em buscar os recursos deve ser a causa e não a premiação”.

A ABCR não tem restrição à modalidade de remuneração fixa mais a bonificação. A associação entende que é uma alternativa interessante, principalmente para organizações menores, que estão iniciando sua área de captação e ainda não conseguem remunerar adequadamente o seu time ou o captador líder, precisando estimulá-los com bônus por desempenho. “Acreditamos, também, que, na organização, todos devem compartilhar a responsabilidade da captação de recursos, vestindo a camisa para isso. Então, as bonificações por desempenho podem ser analisadas para a equipe como todo, de forma a gerar comprometimento geral”, define João Paulo.

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