O desafio da sustentabilidade institucional para organizações da sociedade civil

Em um ambiente formado por mais de 300 mil organizações não governamentais existente no Brasil é tarefa complexa selecionar as 100 melhores ONGs do país. Foi este o desafio encampado pelo Instituto Doar e pela revista Época. Em sua primeira edição – de uma iniciativa que deverá ser anual a partir de agora – foram 1.560 organizações inscritas para a seleção.

Nessa empreitada, professores e alunos da Fundação Getúlio Vargas buscaram garantir um processo de seleção qualificado. A revista Época fortalece a iniciativa levando ao grande público o resultado da seleção – ao todo, foram 400 mil exemplares lançados e outras centenas de milhares de visualizações na web. 

Marcelo Estraviz, fundador do Instituto Doar, explica que não necessariamente a sondagem crava quem é ou deixa de ser as melhores opções para doações no Brasil. Prefere entender a iniciativa como um farol no meio do mar escuro para aqueles cidadãos que querem doar e não sabem como. “Pois bem, estas são nossas sugestões para 2017”, conta.

Para o empreendedor social, são diversas as razões que apontam um ambiente seguro para o doador, assim como são múltiplas as razões que levam uma pessoa a doar. “O ambiente seguro para o doar envolve características subjetivas (como sintonia com a causa) e questões práticas (como facilidade no processo de doar).”

A expectativa é que o prêmio, mesmo apontando apenas alguns agentes desse imenso ecossistema, beneficie o campo social como um todo. Pesquisas realizadas em diversos países confirmam que certificações, prêmios e reconhecimentos aumentam significativamente a confiança dos doadores e, consequentemente, o volume de doações. 

Confira aqui as vencedoras da edição de 2017.

 

Um mergulho no mar de inscritos

Para entender melhor como a inciativa chegou à lista de 100 organizações, convidamos o idealizador da iniciativa, Marcelo Estraviz, para falar sobre os critérios usados na seleção. Ele explica que a bússola para orientar a escolha partiu dos próprios critérios usados pelo Selo Doar.

Os indicadores, de uma maneira ampla, dialogam com o que o próprio campo social tem discutido do que é a sustentabilidade institucional para uma organização da sociedade civil.

“Os critérios são provenientes do Selo Doar, que, por sua vez, são provenientes de um trabalho de três anos do Instituto, envolvendo um benchmarking entre certificações similares no resto do mundo – de 16 países que se aglutinam em uma organização chamada ICFO. Para o Brasil, somamos experiências do GIFE, com seus processos de transparência para associadas; do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em gestão (prioritariamente os temas relacionados a conselhos); além da minha experiência e de outros consultores. Os critérios para o ‘Melhores’ são um conjunto adensado disso, compostos de 36 tópicos, que estão à disposição no próprio site e que as organizações podiam acessar antes mesmo de se inscrever”, explica. 

Analisando os cinco pontos que agrupam uma série de indicadores, é possível perceber que, além de funcionarem como parâmetro de avaliação, eles sugerem rotas para que qualquer organização possa construir processos que melhorem sua sustentabilidade institucional. Confira a lista:

  • Causa e estratégia de atuação: campo que aborda a clareza das informações sobre a causa adotada pela organização, dos propósitos e das estratégias traçadas.
  • Representação e responsabilidade:  área que trata dos processos que asseguram a legitimidade e o cumprimento das responsabilidades dos representantes da organização, dentro e fora dela.
  • Organização e gestão institucional: campo com questões relacionadas às condições institucionais necessárias para a execução adequada das ações realizadas pela organização, incluindo o planejamento e o monitoramento contínuo de suas atividades.
  • Estratégia de financiamento:  área na qual são abordados os fundamentos e as práticas que são adotadas com o objetivo de assegurar os recursos financeiros necessários para o cumprimento dos objetivos da organização, garantindo sua sustentabilidade.
  • Transparência, prestação de contas e comunicação: a transparência é um dos pilares do selo, e por isso, permeia todos os demais campos. Esta área específica trata da necessidade de divulgação das principais informações da organização, e da existência de canais de comunicação.

 

Formação da Fundação Salvador Arena traz para a prática a discussão sobre sustentabilidade institucional

Entre os dias 15 e 18 de agosto, organizações da sociedade civil da região metropolitana de São Paulo e Baixada Santista participaram de mais um módulo da Formação em Sustentabilidade Financeira para Organizações da Sociedade Civil, iniciativa da Fundação Salvador Arena que contou com a organização da Mobiliza.

Representantes das organizações que participaram da formação.

Ao longo dos últimos três dias, os participantes, reunidos em Santo André, no ABC Paulista, tiveram acesso a uma série de conteúdos e atividades ligados ao tema “Comunicação e Engajamento Social”. O programa, que já trabalhou uma série de outros tópicos ligados à mobilização de recursos e sustentabilidade organizacional, é mais um esforço em levar para as OSCs uma reflexão sobre os critérios que contribuem para as entidades organizarem um ambiente interno e um ecossistema de relações propício às doações. Sempre no radar dos instituidores do programa, temas como os critérios do Selo Doar marcaram a programação.

A avaliação do grupo aponta para um cenário de transformações, no qual as OSC buscam repertórios e ferramentas para se reinventar e se relacionar de forma mais eficiente com doadoras. “A formação foi bem completa, oferecendo um bom panorama sobre mobilização de recursos e comunicação. Todas as dicas compartilhadas foram ricas, apresentando ferramentas simples e eficientes para iniciantes. Me chamou a atenção a qualidade do conteúdo em todos os módulos”, conta Lucas Lujan, do Instituto Relfe.

A avaliação se repercute na fala de outro representante do instituto. “Acredito que saímos todos com boas noções de captação de recursos, gestão de parcerias e comunicação em geral. Aprendemos a importância de atuarmos sempre de forma planejada”, analisa o diretor executivo da organização, Bruno Sá Cavalcante Grassano.

Entre os diversos temas abordados, os participantes discutiram e exercitaram estratégias de comunicação, mobilização e engajamento nas redes sociais, nas mídias impressas e no ambiente tradicional de relacionamento com doadores individuais, empresariais e familiares.

“Para nós, organizações sociais que trabalham com atendimento direto, ter a oportunidade de  participar de uma formação como essa, cheia de conteúdo, é um privilégio. Estou levando para a instituição muita energia para compartilhar com meus colegas e dizer que, sim, é possível mobilizar recursos e comunicar de forma eficiente”, diz Rogério da Silva Braga, da organização Cidade dos Meninos.

Além de conhecer um amplo escopo de ferramentas de comunicação e relacionamento com diversos públicos, o grupo participou de uma oficina sobre Storytelling, conduzida pela produtora Social Docs. Na prática, o esforço foi qualificar o grupo para entender a estrutura de narrativas para construção de histórias para sua comunicação.

“Gostei muito de toda a formação. Especialmente dos exercícios práticos que nos fizeram repensar conteúdos e nos aproximar do que é possível de fato. Foi muito importante refletir sobre nossa forma de nos comunicar, nos aproximando do que são nossa causa e nossa missão”, avalia Andréia Lima Schunemann, do Lar Batista.

Ao final da formação, foi apresentada a primeira edição do Prêmio Fundação Salvador Arena de Desenvolvimento Institucional. A iniciativa tem como objetivo mobilizar os participantes a executarem, em campo, um projeto a partir dos conteúdos trabalhados nos módulos – além de viabilizar financeiramente o piloto.

Ao todo, três projetos serão selecionados e receberão um aporte de 7 a 15 mil reais da Fundação para execução, além de  bolsas para participar do Festival ABCR 2018, patrocinadas pela Mobiliza. Para criar a ideia e planejar sua apresentação, os proponentes contarão com a orientação do Estúdio Cais, empresa parceira da Mobiliza no módulo de comunicação da formação. A defesa das propostas e o resultado do prêmio acontecem no dia 24 de outubro deste ano.

Registros dos dias de formação

 

Organizações participantes da formação

Fazem parte da edição 2017 do programa as seguintes OSCs:

  • Associação Irmãs da Providência “Casa Padre Luis Scrosoppi”;
  • Associação Patrulheiros Mirins de São Caetano do Sul – Oscar Klein;
  • Associação Projeto Relfe – Instituto Relfe;
  • Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto;
  • Associação Missionária dos Franciscanos Menores Conventuais – Cidade dos Meninos;
  • Lar do Ancião de Diadema;
  • APRAESPI – Associação de Prevenção, Atendimento Especializado e Inclusão da Pessoa com deficiência;
  • Comunidade Inamar Educação e Assistência Social;
  • Lar Batista de Crianças;
  • Meimei Educação e Assistência;
  • Creche João XXIII;
  • Associação de Voluntários da Saúde de Santo André – AVSSA.

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