Caso: Instituto Procomum investe em laboratórios de ideias para causas

(Material complementar à coleção Mobiliza – fascículo 1)

Instituto Procomum investe em laboratórios de ideias para causas

“Somos uma organização que nasce com a proposta de ser um experimento organizacional. Nós entendemos que era preciso criar uma organização para pensar um mundo que talvez prescinda delas. E isso talvez aponte para um ponto central desse debate. Nos parece que uma organização social do século 21 precisa pensar nas pessoas e a partir das pessoas nas organizações. Não pessoas como indivíduos isolados, nem como engrenagem de uma estrutura maior que elas. Pessoas, apenas, em sua complexidade. Se uma organização conseguir dar conta das necessidades de uma pessoa, ela pode agir para construir uma sociedade também feita de pessoas articuladas entre si e que atuem em prol do bem comum. No debate sobre urbanismo, muito se fala em cidades redesenhadas para a escala humana, o que significa cidades que valorizem a cultura do convívio, do encontro, das trocas, da cooperação, da colaboração, da solidariedade. Acreditamos que precisamos pensar em organizações estruturadas para a escala humana”.

A fala de Rodrigo Savazoni, Georgia Nicolau e Niva Silva, criadores do Instituto Procomum, remete como a organização tem fomentado suas iniciativas desde 2016, quando foi fundada: laboratórios de ideias para a promoção do bem comum.

Por isso, o grupo se uniu a organizações e iniciativas parceiras para construir o ORG.LAB, um laboratório colaborativo e distribuído para formular caminhos inovadores para suas experiências. Essa é uma das frentes principais de atuação do IP. “Queremos testar propostas e formatos aplicando-os ao nosso cotidiano. Sabemos que muito do que existe até aqui não nos agrada, seja no mundo empresarial, nos governos ou mesmo na sociedade civil. Então estamos experimentando e vamos experimentar muito mais ainda”, comentam.

Outra iniciativa é o LABxS (Laboratório Santista), uma rede de pessoas-iniciativas-infraestruturas que o Instituto articula na cidade de Santos, litoral paulista. No LAB, são organizadas oficinas de produção e formação, além da administração de um banco aberto e livre de projetos e chamadas públicas para iniciativas cidadãs criativas e inovadoras.

“Para nós, inovação é introduzir uma diferença na diferença. Fazer de um jeito diferente aquilo que sempre se fez ou fazer algo que ainda não foi feito anteriormente. Uma ginga, um drible, um meneio de corpo, fazem um futebol inovador. Acreditamos, portanto, que é impossível ser inovador sem ser criativo, sem dar asas à imaginação, sem entregar-se às trocas culturais, sem incorporar a arte no cotidiano. E tudo isso com foco no que realmente importa. Não é possível ser inovador sem lutar ao lado das mulheres, dos negros e negras, dos indígenas, dos gays, lésbicas e transgêneros, dos deficientes, ou seja, todos aqueles que costumam ser sub-representados em nossa sociedade. Não sabemos se esses valores são comuns às organizações inovadoras, mas trabalhamos para que sejam. Sem isso, o caminho pode ser interessante, mas o foco é inócuo”, apontam os criadores da organização.

Mobilização de recursos

A organização tem refletido bastante sobre questões relacionadas à mobilização de recursos e quer se somar ao ‘movimento de construção de uma economia do comum’. Para fazer isso, comenta a equipe, estão se autoformando a respeito do assunto. Uma das iniciativas nesse sentido é a tradução de experiências cooperativistas na Europa. O Instituto também está trabalhando, junto ao Instituto Cidade Democrática, na construção de uma plataforma de marketplace para trocas de conhecimento e serviços, em que pretendem usar a tecnologia do Blockchain. O plano é aplicar essa solução na gestão do LABxS (Laboratório Santista).

“Tudo ainda muito incipiente. Temos um privilégio que é ter um financiador internacional, a Fundação Ford, que não só nos financia como apoia essa perspectiva laboratorial que assumimos. Nosso plano é chegar até o fim de 2018 com outras respostas para essa questão. Por hora, nosso financiamento é bem tradicional”, explicam.

Conheça mais: www.procomum.org

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