Captamos: formação e informação para captadores de recursos

Uma plataforma acaba de ser lançada por um grupo de instituições que comungam do mesmo objetivo: oferecer um espaço qualificado aos captadores de recursos para que tenham acesso à informação, formação e troca de experiências e conhecimentos com seus pares e com organizações sociais que possuam práticas bem-sucedidas na área.

Sob a gestão da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), a Captamos teve origem em um evento de lideranças, promovido pelo Instituto Arapyaú, com o objetivo de discutir problemas e encontrar soluções para o setor. Na ocasião, um dos temas abordados foi a falta de mais fontes especializadas para apoiar o captador, desde o novato até o mais experiente, especialmente os que atuam fora do eixo Rio-São Paulo, de pequenas, médias e grandes organizações, em situações comuns ou adversas, como a da atual crise econômica.

O grupo entendeu que um site seria a melhor maneira de democratizar a proposta. “A Odiseo estava presente e doou o software. A 4 Etapas de Captação, também presente, cedeu vídeos e materiais que já tinham sobre o tema. Ou seja, a Captamos é fruto da união de instituições e pessoas com o mesmo interesse em fortalecer as organizações da sociedade civil, que têm carência de informação e formação em captação de recursos”, explica Sara Queiroz, Coordenadora de Gestão da Captamos.

Renata Brunetti, Conselheira da Captamos, conta que ela e Célia Cruz (quando atuavam pela 4 Etapas de Captação) davam aulas sobre o assunto, há muitos anos, e queriam transformá-las em um material impresso, uma espécie de guia. O tempo passou e o projeto ficou engavetado até que a ideia ressurgiu há cinco anos, mas precisava ser repaginada. “Modestamente, sonhávamos com uma plataforma, mas não tínhamos pernas nem recursos para realizá-la sozinhas. Quando, há dois anos, participamos do encontro de lideranças, percebemos que a proposta tinha tudo a ver como nossos planos. Decidimos doar ao movimento os 24 vídeos, doze documentos com materiais de apoio, o nome e a marca de nosso projeto original”.500x300_bannertech

O site é dividido em três seções: Inspire-se, que traz casos de sucesso, artigos e notícias dos colaboradores; Aprenda, que disponibiliza cursos; e Compartilhe, espaço em que as pessoas postam dicas, dividem conteúdos e práticas, ampliando o networking e aproximando as instituições. “Ou seja, a Captamos é um polo agregador, não apenas uma fornecedora de conteúdo, porque também está aberta a receber informações, arquivos e experiências de todos aqueles que já mobilizaram recursos para suas causas”, comenta Sara.

Renata concorda: “Quando dávamos aula, percebíamos que a maior riqueza estava nas trocas entre os alunos que traziam suas vivências de captação para o grupo. Novamente a Captamos nos surpreende quando estimula e viabiliza essas trocas.”

Tudo oferecido na plataforma é gratuito. Os cursos são rápidos, com duração de até 40 minutos, e contêm vídeos e exercícios online, ministrados por especialistas voluntários. Os artigos, que debatem diferentes temas, têm a autoria de grandes nomes do setor, também voluntários.

Para viabilizar e gerenciar o site, a Captamos criou um Conselho Deliberativo formado por nove lideranças da área, que se reúnem mensalmente para definir ações e caminhos. Atualmente, cinco profissionais contratados são responsáveis por munir o site de informações.

A proposta é que a plataforma fique cada vez mais completa, abordando conteúdos de captação de recursos e temas correlatos, “assim, será possível encontrar informações que contemplem a necessidade tanto de quem está começando na área como daqueles que atuam há mais tempo e precisam se reciclar ou aprender mais”, reforça João Paulo Vergueiro, Diretor Executivo da ABCR.

Nos seis meses iniciais, o site está em versão beta, para ser testado, contando com a interatividade, críticas e sugestões dos internautas. “No ano que vem, teremos a versão oficial, aprimorada com base nos feedbacks dos usuários”, avisa Sara.

Os desafios brasileiros

João Paulo vê a profissão de captador em ascensão. “Cada vez temos mais indivíduos de outras áreas atuando com mobilização de recursos. Em muitos casos, falta conhecimento mais amplo e estratégico sobre o tema, mas, definitivamente, todos querem contribuir à geração da receita tão necessária para garantir o impacto que as organizações buscam”. Por isso, o setor realmente precisa ser fortalecido no País, já que existe um terreno fértil a ser explorado, com potenciais empresas e pessoas físicas doadoras. “A estimativa é de que hoje existam cerca de 300 mil ONGs no Brasil e somente 24% delas tenham área de captação de recursos estabelecida. Isso dificulta a manutenção de projetos importantes”, ele explica.

Para Sara, o tema captação de recursos é bastante discutido no mundo, mas pouco profissionalizado aqui. Ela defende que, antes de tudo, as pessoas tenham claramente e bem estruturada a governança das instituições, com plano de ação, captação, processos e metas. Só assim elas serão bcaptacaoem-sucedidas e não vão fracassar, “como tem acontecido com várias organizações que estão fechando as portas por falta de planejamento”, alerta.

Sara também reforça que o objetivo da plataforma não é ser ponte entre as ONGs e os investidores. Para isso, há outras ferramentas. “Somos uma plataforma de informação e formação para pessoas que querem saber mais sobre como arrecadar fundos a suas causas e/ou instituições. Nossa pretensão é apoiar a profissionalização do setor, para que as ONGs se fortaleçam, o que levará a consequente aquisição de mais doadores/associados, repercutindo no aumento de recursos e na sustentabilidade financeira”.

Renta acredita que lançar o site em um momento de crise econômica é muito propício, porque se percebe um maior engajamento entre as organizações, antes mais fechadas nas suas necessidades e realidades. “A Captamos proporciona esse diálogo, porque é transversal. Possivelmente, vão nascer alternativas de captação de recursos em parceria, ou seja, organizações captando juntas e gerando maior impacto do que se atuarem isoladamente. Também acreditamos que a Captamos é um espaço colaborativo e dinâmico que tende a fortalecer e transformar a sociedade “, conclui Renata.

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