CAF indica: brasileiros estão mais generosos

Desde 2009, o Brasil não se colocava tão bem no ranking de solidariedade realizado em 140 países. Lançado no final de outubro de 2016, o World Giving Index (WGI), da Charities Aid Foundation (CAF), índice global que mede a generosidade, mostrou amplos avanços em quesitos que indicam maior disponibilidade dos brasileiros em doar e se dedicar a uma causa.

O WGI é elaborado pela CAF, instituição filantrópica internacional, com sede no Reino Unido e, no Brasil, representada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis). Foram entrevistadas, entre 20 de outubro e 16 de novembro de 2015, 148 mil pessoas, sendo 1.004 no Brasil, como parte do Gallup World Poll.

O WGI avalia três aspectos, com base no comportamento dos entrevistados no mês anterior à pesquisa: número de pessoas que doaram para uma organização social, que atuaram como voluntário ou que ajudaram um estranho.

Entre os brasileiros, 30% disseram ter doado dinheiro a instituições, 18% realizaram trabalho voluntário e 54% declararam apoio a uma pessoa desconhecida, contra 20%, 13% e 41%, respectivamente, da pesquisa anterior (2013/2014).

Essas porcentagens conquistadas na pesquisa 2015/2016 indicam que 48 milhões de pessoas contribuíram a uma causa (doaram dinheiro), 29 milhões de brasileiros se voluntariaram e 86 milhões ajudaram indivíduos desconhecidos.

Os avanços colocaram o Brasil na 68ª posição no ranking de generosidade. Em 2009, estávamos na 54ª posição. Em 2014, amargávamos o 105º lugar.

Embora, na classificação geral, sejamos o 6º país que mais cresceu nessa última edição do estudo, ainda ficamos atrás de outras nações latinas, como Chile, Peru e Uruguai.

“O resultado é uma grata surpresa. Estamos tentando entender esse movimento. Quem acompanha a pesquisa sabe que a população de países onde ocorrem catástrofes costuma se mostrar mais sensível e solidária. Talvez, a crise política e econômica que o Brasil atravessa tenha tido o efeito de um furacão, mobilizando as pessoas a ajudarem os outros, ao verem o aumento do desemprego e da pobreza”, analisa Andréa Wolffenbüttel, Diretora de Comunicação e Relações Institucionais do Idis.

A mesma tendência se deu no restante do mundo, onde mais da metade dos entrevistados declarou ter ajudado um desconhecido ou ser voluntário. O campeão de generosidade, pelo segundo ano consecutivo, é Mianmar (antiga Birmânia), localizado no Sudeste Asiático e considerado um dos países mais pobres de seu continente. O segundo colocado foi os Estados Unidos da América (veja a tabela).

 

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Fonte: Idis 

 

De tendência a cotidiano

Para Andrea, o desafio está lançado. As organizações da sociedade civil precisam criar estratégias e ações para transformar esses avanços em tendência. “Temos de evitar que seja apenas uma onda pautada por momentos mais críticos. Algumas iniciativas já fazem esse trabalho, como o Dia de Doar que, neste ano, será em 29 de novembro”.

Com o objetivo de fomentar a cultura de doação, é essencial práticas como esta que, segundo Andrea, mobilizam as pessoas a pensar o que desejam transformar, contribuindo com aqueles que trabalham por essa mudança, ou seja, as organizações e instituições sociais.

Nesse sentido, o próprio Idis e seus parceiros estão planejando, para 2017, uma campanha nacional, com o objetivo de sensibilizar os brasileiros. “O ato de doar é uma ação solidária, mas também é uma forma de expressão, de dizer o que você quer solucionar, qual a sua contribuição para a construção de um mundo melhor, sonhado por todos. Temos de mostrar que a doação deve fazer parte do nosso cotidiano”, conclui Andrea.

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