As novidades da tecnologia para mobilizar recursos

Conversamos com empresas que prestam serviços ou vendem produtos focados em organizações sociais. Identificamos várias ferramentas tecnológicas que facilitam o trabalho de levantar recursos.

Como você vai conferir nesta matéria, o céu é o limite, com opções que vão desde instrumentos que facilitam o cadastramento da Nota Fiscal até o vídeo 360º para o uso da realidade virtual.

A Trackmob, por exemplo, comercializa tecnologias para atrair, converter e reter doadores. A ideia é contribuir ao fomento de uma cultura de doação. “Nossas ferramentas propiciam uma experiência bacana ao doador”, afirma Jonas Araújo, o CEO da empresa. Para isso, criaram três opções. A primeira é um aplicativo para facilitar o Face to Face (ação que envolve a abordagem direta, na rua), em que o captador anota os dados do doador, evitando erros de grafia ou letras ilegíveis, além do retrabalho de passar para uma planilha todas as informações, antes escritas no papel. Em um painel online, a ONG tem como monitorar a performance dos captadores, quem obteve mais sucesso, qual precisa de mais estímulo, com o objetivo de rever as metas.

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Jonas Araújo, da Trackmob

A segunda opção é uma página de doação/plataforma online simples, que a organização cria e onde o internauta navega de forma interativa, tendo valores pré-definidos, o que facilita na hora de escolher a quantia que ele quer dispor. “A plataforma ajuda a prever quanto será arrecadado, por mês ou pontualmente. Outro aspecto é que o doador precisa passar por três passos, preenchendo informações objetivas, antes de realizar a doação. Caso ele não complete todo o processo, a ONG fica com o e-mail registrado na primeira etapa e pode estabelecer um relacionamento com ele”, explica Jonas.

Por último, a Trackmob criou o GuaraCRM, que além de processar as doações recorrentes, também possui uma parte de automação de marketing, possibilitando uma comunicação com o doador logo nas primeiras 24 horas após a doação e em outros momentos, a partir de uma régua de relacionamento preestabelecida. O CRM também acaba sendo a interface com a operadora de cartão de crédito que, segundo Jonas, é a maneira mais eficiente e prática de a ONG receber, porque é mensal.

Os três serviços são pagos, contratados separadamente. Se a ONG quiser implementar o GuaraCRM e a página de doação online, por exemplo, terá de desembolsar um total de R$ 498,00/mês (no pacote mais simples), além de investir um valor inicial para o setup, que varia entre R$ 10 e 15 mil (para organizações pequenas) a R$ 40 mil (para organizações maiores).

Como projeção, uma instituição que deseja iniciar um trabalho de captação de recursos com indivíduos, de maneira estruturada, deve se preparar para desembolsar cerca de R$ 18 mil/ano, o que tende a ser pago após conquistar cinquenta doadores de R$ 30,00/mês.

Recursos da Nota Fiscal de um jeito mais fácil

Mario Dias, da Santa Nota, pertencente ao grupo GSN, explica que a tecnologia desenvolvida pela empresa está focada nas entidades que desejam ampliar e otimizar sua capacidade de gestão em todo processo de captação por meio da Nota Fiscal, agilizando o processo de registro dos cupons.

Ele ressalta que o uso dessa fonte de receitas ainda é subaproveitado pelas organizações, talvez por falta de conhecimento. “Atualmente, só no Estado de São Paulo são, aproximadamente, trinta mil entidades. Destas, pouco mais de quatro mil se inscreveram no programa. Apenas 65% das inscritas fazem algum uso do benefício, sendo que a metade coloca urnas nos estabelecimentos comerciais e realiza campanhas de divulgação. Há instituições que santanota-transp-cinzaarrecadam mais de dois milhões de reais por ano”.

Com a ferramenta, é possível monitorar cada cupom lançado, visualizar o retorno e o valor dos créditos de cada estabelecimento doador. O gestor da entidade acompanha quando os recursos aumentaram ou diminuíram em tempo real, podendo melhorar sua estratégia e focar a atuação somente nos locais com maior retorno.

O serviço é pago. Para lançamento de até 50 mil notas por mês, a organização que contratar o serviço pagará uma licença anual de R$ 3.490,00 e um valor mensal de R$ 150,00. Caso passe dos 50 mil cupons lançados, os preços vão variar por número de notas, conforme informações no site da empresa.

Multinacionais de tecnologia e as causas sociais

Para apoiar organizações sem fins lucrativos, por meio do uso adequado de tecnologia, a Associação Telecentro de Informações e Negócios (ATN) realiza o Programa TechSoup Brasil de Doação de Licenças de Software, em parceria com a TechSoup Global Network, dando assistência na obtenção, utilização e manutenção de ferramentas tecnológicas.

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Talita Viana Ferreira, da ATN

“Como parte do compromisso com esse setor, empresas como Microsoft, Google, Symantec, Box, Autodesk, Adobe, Bitdefender e Tableau utilizam a nossa plataforma para efetuar doações de licenças de software, ajudando assim a estruturar organizações em diversos países. As instituições se beneficiam da consolidação de muitos programas de doações em um único ambiente integrado, com uma vasta gama de informações sobre colaboração e apoios prestados pela TechSoup Global e suas parceiras”, explica Talita Viana Ferreira, Gerente de Projetos. Segundo ela, para utilizá-las e usufruir das doações, as ONGs necessitam apenas de computadores, acesso à internet e pessoas que tenham conhecimentos básicos das ferramentas.

Para receber as doações, as organizações sociais precisam fazer um cadastro no site da TechSoup Brasil e desembolsar uma taxa que cubra os custos administrativos do programa. Segundo consta no site da TechSoup Brasil, os valores variam, mas as organizações continuarão economizando 92 a 96% do valor desses produtos praticado no mercado.

Doação por aplicativos e realidade virtual

Boletos que chegam atrasados ao doador ou que ele esquece na gaveta, não paga e não tem tempo para solicitar outro são alguns dos empecilhos que atrapalham o fluxo das doações. Por isso, a Tokhelp criou um aplicativo, para celular, tablet e smarthphone, onde estão reunidas várias instituições. A pessoa entra, escolhe uma ou mais das inscritas e faz a doação direta, com alguns cliques.

Além disso, existe a possibilidade de doar por um site, seguindo a mesma dinâmica, embora, segundo Marcelo Calixto, da Tokhelp, “cada vez mais as pessoas estão migrando para os aplicativos”.

Marcelo Calixto, da Tokhelp

As instituições que utilizam a ferramenta conseguem acompanhar as doações em tempo real, elaborar relatórios e realizar medições. “Sabemos que muitas pessoas doam com frequência. Por isso, no momento em que elas estão fazendo a doação pelo aplicativo, damos a opção de débito mensal no cartão de crédito, que os doadores podem desabilitar a qualquer momento. Também é possível pagar com cartão de débito”, explica Marcelo. Atualmente são mais de sessenta instituições cadastradas. Desde junho de 2016, quando a tecnologia foi lançada, o aplicativo arrecadou mais de 85 mil reais.

No mundo real ou virtual, a tecnologia pode ser mesmo uma grande aliada das causas sociais. Prova disso foi o uso do game Pockemon Go por instituições como o RFS, grupo de oposição ao governo da Síria, e o C.S. Mott Children’s Hospital, nos EUA.

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Marcelo Iniarra, da Frontline Virtual Reality

Para Marcelo Iniarra, da Frontline Virtual Reality, “a realidade virtual é a nova maneira de contar histórias em todas as áreas e nossa empresa dá a ONGs subsídios para que falem de suas causas usando essa tecnologia, com a ferramenta 360º. No Brasil, estamos nos primeiros passos. As ONGs precisam se profissionalizar cada vez mais e algumas já começam a pensar em estratégias mais ousadas como esta. Para usá-la, existem dois caminhos: contratar uma produtora, que tenha a tecnologia e equipe para elaborar roteiro e todas as etapas do processo, ou começar de uma forma mais simples, usando uma Nikkon 360 ou gravando pelo celular um testemunhal”.

Marcelo orienta que, no caso de uma opção mais informal, é necessário ter claro o porquê de usar a realidade virtual e qual a estratégia para isso. Também é preciso pensar de que forma realizar uma gravação 360º que mostre claramente o projeto, contando, de uma maneira criativa, a história que se quer passar para sensibilizar o espectador, um potencial doador ou apoiador da causa.

Novidades que vêm por aí

A Tokhelp prepara, para o final do ano, uma grande campanha nacional, envolvendo personalidades famosas que irão aderir a causas por meio do aplicativo da empresa com o objetivo de ampliar o uso da ferramenta.

Já, o Santa Nota está trazendo uma nova tecnologia para o Brasil, no primeiro semestre de 2017, conhecida como urna digital, um tipo de totem eletrônico alocado nos estabelecimentos comerciais, para ler o código de barras dos cupons fiscais, obrigatórios a partir de 2018. A instituição compra o sistema e coloca um tablet na urna para operá-lo.

Outra inovação prevista pela empresa é um aplicativo para celulares que será conectado ao GPS. “Muitas instituições têm logística com motoboys ou motoristas para retirar os cupons nos estabelecimentos comerciais. Esse aplicativo, além de ler os cupons, vai monitorar os recolhimentos das notas e melhorar o relacionamento da instituição com o estabelecimento parceiro”, explica Mario.

Desburocratizar o processo de doação é uma das ações em que a Trackmob vai investir no curto prazo. “Um dos desafios que as organizações encontram é novos meios para receber a doação, sendo que o uso de cartão de crédito tem crescido. Por isso, estamos pensando em novas formas de facilitar esse recebimento”, conta Jonas.

cloudTatiana, da ATN, acredita que o mercado de tecnologia tem, cada vez mais, utilizado serviços em nuvem (Cloud), uma nova tendência. “A TechSoup já está atuando com esses serviços por meio dos parceiros Microsoft (Office 365) e Google (Google para Organizações sem Fins Lucrativos)”, reforça, complementando: “O mundo está cada vez mais informatizado e a tecnologia está presente em tudo. A intenção do Programa de Doações é transformar as ONGs para que elas transformem a comunidade”.

Sobre ainda persistir a ideia de que o uso de tecnologia pelas organizações é uma opção com altos investimentos, os entrevistados discordam. Jonas, da Trackmob, defende que “a tecnologia ajuda as ONGs a captar mais recursos e fortalecer suas causas, porque tem baixo custo de implementação, ou seja, permite alcançar mais com menos. Nos dias de hoje, ter um e-commerce sai bem mais em conta do que abrir uma loja física. O que as ONGs precisam saber é que as empresas de tecnologia trabalham a favor do terceiro setor e das causas sociais”.

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