Reflexões sobre financiamento de OSC e a cultura da doação no Brasil

De 4 a 6 de abril deste ano, aconteceu o X Congresso GIFE “Brasil, democracia e desenvolvimento sustentável”, em São Paulo. O evento contou com lideranças de institutos e fundações, dirigentes de organizações da sociedade civil, acadêmicos, consultores e representantes de governos que discutiram o tema do investimento social privado para a formação de novas agendas e convergências no país.

Reunimos algumas tendências e desafios para o campo a partir dos debates sobre Cultura de Doação e Grantmaking, fortalecimento das OSCs, gestão institucional e acesso a recursos que aconteceram no evento que reuniu cerca de mil participantes.

Desafios para as OSC:

  • Ampliar o diálogo/a comunicação de forma clara, simples, objetiva e mobilizadora para que as construir relações com seus públicos na tentativa de entender o que move a pessoa a ser um doador e de explicar a profundidade e complexidade dos problemas com os quais as organizações trabalham;
  • Ampliar a atenção aos resultados reais que [as OSC] estão gerando, que estão entregando para a sociedade, com o que estão contribuindo para resolver os problemas sociais, na tentativa de, ao menos, equilibrar a atenção normalmente dada à “apenas” a própria sobrevivência;
  • Diversificar receitas e incorporar outras modalidades de financiamento. Organizações com modalidades híbridas de receitas, desde que não comprometam seu propósito, tendem a ser mais fortes e autônomas;
  • Construir um processo de mobilização de recursos estruturado de forma a gerar uma sensação de pertencimento ao doador. Debruçar-se sobre o melhor uso das ferramentas de comunicação para sensibilizar doadores médios;
  • Entender o que motivaria possíveis novos doadores a direcionarem recursos, especificamente a organizações que atuam com direitos humanos.

Desafios para os governos:

  • Implementar novas modalidades (ou fortalecer vigentes) de incentivos fiscais e melhoria do ambiente regulatório;
  • Gerar dados qualificados que mostrem a força do campo das organizações da sociedade civil na questão da garantia de direitos e fortalecimento da democracia.
  • Apoiar campanhas que tem como foco sensibilizar a sociedade civil sobre a importância e o poder transformador da doação individual.

Desafios para financiadores corporativos:

  • Coragem para o risco, apostando que o financiamento deve ser uma ponte entre as instituições (quem doa e quem recebe). Há, pelo menos, quatro tipos de recursos que precisam ser alocados para as OSCs: capital financeiro; captação e formação de fôlego, de longo prazo; assistência técnica; atração de novos talentos.
  • Ao estruturar um instituto ou fundação, seus instituidores devem entender sua vocação, expectativas e objetivos para definir se serão grantmakers (financiadores) ou se serão operadores de projetos.
  • Apostar na relação com as organizações da sociedade civil sem desconfiança, estabelecendo um espaço de diálogo constante para diminuir possíveis ruídos de entendimento e de comunicação.
  • Construir em cooperação com as OSC planos de desenvolvimento institucional, com boa gestão de recursos financeiros e não financeiros.
  • Ter grantmaking diversificado: apoiar projetos, mas também promover financiamentos mais amplos às OSC.
  • Ampliar a percepção de que as doações de recursos via grantmaking são apoios complexos, envolvem desenvolvimento de capacidades e fortalecimento institucional das OSC,
  • Trabalhar a ideia de que a mobilização de recursos é, sobretudo, um ato político.

 

Confira outros relatos do Congresso GIFE no site da organização: https://congressogife.org.br/2018/

 

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