Mama Ekos valoriza saberes antigos e medicinas naturais usadas por doulas na Amazônia

A Mama Ekos foi um dos cases apresentados na seção ‘Conexões’ do terceiro fascículo da Coleção Mobiliza, juntamente com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa e o Museu de Favela.  A edição teve como tema “O desafio da sustentabilidade das organizações em uma democracia em transformação”. As três organizações apresentadas na seção estão em diferentes estágios de maturidade, mas têm em comum a aposta na inovação, seja em suas atividades e projetos ou na diversificação da mobilização de recursos e na busca pela sustentabilidade financeira. Conheça a Mama Ekos a seguir.

A história da Mama Ekos confunde-se com a trajetória de vida de sua fundadora, Patrícia Mandí. Formada em fisioterapia, desistiu de trabalhar com materiais cirúrgicos para resgatar práticas de prevenção a doenças durante a gravidez. Depois de atuar na periferia de São Paulo com o Instituto Favela da Paz, levando saberes para gestantes juntamente com profissionais da saúde, Patrícia foi para Maués, no interior do Amazonas.

Assim, a Mama Ekos foi criada em 2016 com o propósito de unir saberes antigos e atuais e as medicinas naturais. Além de encontros mensais para gestantes, a organização também realiza cursos, como para a formação de parteiras, doulas e doulos. Por ser muito recente, a Mama Ekos ainda não conta com um modelo de financiamento estruturado.

Doações individuais e um investimento da própria fundadora constituíram o capital inicial, que foi mantido e multiplicado com colaborações pontuais e prêmios, como o da Brazil-Foundation. Agora, o objetivo é focar na comunicação do funcionamento da Mama Ekos, para difundir sua mensagem e atrair mais doadores para a causa.

Segundo Patrícia Mandí, fundadora e responsável pela Mama Ekos, a organização foi criada com o objetivo de levar saberes a diferentes públicos.

“A Mama Ekos surgiu com a vontade de levar saberes ao pessoal da periferia, ou do interior, que muitas vezes sofre violência obstétrica, e com a vontade de pensar ‘como podemos trazer nossos filhos para o mundo da melhor forma, com mais amor, e menos intervenção e violência’. Nós queremos resgatar essa parceria, porque enquanto aqui em Maués a parteira foi muito desvalorizada pelos profissionais de saúde, em uma capital como São Paulo, o parto domiciliar está muito bem visto e chega a custar muito caro. Ainda estamos buscando a sustentabilidade da organização; por isso precisamos trabalhar a comunicação para conseguir mobilizar recursos e impactar mais pessoas. Para isso, temos diversos projetos: a união de parteiras e artesãs para criar a bolsa da parteira, com produtos naturais tradicionalmente usados durante a gestação e no trabalho de parto; a construção da casa maternidade, um lugar no meio da natureza para que as pessoas possam estudar sobre parteiras e medicina natural; o nosso site, que vai ser como um Airbnb da maternidade, entre outras iniciativas. A inovação pode nos ajudar em dois sentidos: na tecnologia, com ferramentas como o próprio site, redes sociais e o crowdfunding; e nesse trabalho coletivo, um movimento de unir diferentes pessoas com diversos saberes para criarmos novos sonhos. Eu acredito que, para o Mama Ekos, existem três possibilidades: a captação de fundos por editais, pela comunicação da nossa causa e pela venda de produtos feitos de forma colaborativa.”

 

* As fotos utilizadas nessa matéria pertencem ao acervo da Mama Ekos. 

(*) A matéria é parte do terceiro fascículo da Coleção Mobiliza, que teve como tema: “O desafio da sustentabilidade das organizações em uma democracia em transformação”. Clique aqui para baixar a publicação completa.

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