De olho em seu propósito, Instituto Elos busca desenvolver novos modelos de financiamento para sua atuação

A última edição da Série Mobiliza trouxe como tema “Modelo de financiamento autêntico”. Para discutir essa questão tão complexa e desafiadora para organizações da sociedade civil, conversamos com várias fontes. Entre os convidados, o Instituto Elos mostrou como vem construindo novas estratégias de captação de recursos nos últimos anos – um caso inovador a ser observado de perto.

O Instituto Elos é uma organização que busca propor soluções inovadoras para, de maneira coletiva, promover transformações em comunidades. Atua em parceria com empresas, poder público e organizações da sociedade civil, orientado pela Filosofia Elos, um modo de olhar e intervir nas localidades a partir de sete disciplinas: o Olhar, o Afeto, o Sonho, o Cuidado, o Milagre, a Celebração e a Re-evolução.

Crédito: Julia Toro

 

O desafio de mobilizar recursos é uma constante cotidiana que envolve toda a equipe. Conversamos com Mariana Gauche, coordenadora do Núcleo de Gestão, e Ricardo Oliveros, estrategista de comunicação, para entender como estruturar processos de financiamento genuínos.

A dupla começa destacando que o fortalecimento da sustentabilidade institucional parte da própria atividade de relacionamento com diversos atores da sociedade civil. É assim que buscam colocar a Filosofia Elos a serviço de ações que estão alinhados ao propósito, sendo a resposta a um desafio ou uma questão para o projeto de um terceiro. A organização também atua para oferecer formações gratuitas para o público final, algo que tentam conciliar com a demanda de empresas que queiram fazer ações em comunidades.

Em 2016, as receitas do Instituto Elos vieram 66% de prestação de serviços, 25% de convênios e projetos, 8% de doações e 1% de aplicação financeira. Após alguns anos nesse ritmo, a organização chegou à conclusão de que é necessário equilibrar melhor a energia e a dedicação da equipe entre prestação de serviço e projetos autorais que, em geral, envolvem a inovação e a criação de ferramentas e metodologias antes da existência da demanda para elas. Hoje, tentam promover uma virada.

“São muitas as possibilidades e grandes os desafios. Para realizar programas como o Guerreiros Sem Armas (GSA), fazer o trabalho em comunidades, construir o Espaço Elos, ainda somos dependentes da prestação de serviço para empresas. Um dos jeitos-chave para garantir a continuidade do nosso trabalho é criar uma base sólida e sustentável do nosso propósito, através do programa de doação recorrente chamado Guardiões de Transformação. Com 600 guardiões, poderemos realizar muitos sonhos, incluindo edições contínuas do programa GSA, trabalhando com 60 profissionais”, explicam.

Reconhecimento e novos desafios

Este ano o Elos foi reconhecido como uma das 100 melhores ONGs do Brasil pelo Instituto Doar e Revista Época, que selecionou um grupo de organizações a partir de indicadores como gestão e transparência. Trata-se de um selo de qualidade que abre portas. Com isso, a reflexão sobre modelos híbridos e autênticos de financiamento voltou a aparecer forte nas reuniões com a equipe.

“A questão central é pensar profundamente na equação de como sair do vermelho e conseguir investir cada vez mais no propósito, sem que isso dependa tanto da prestação de serviços. Por outro lado, as organizações que têm alto índice de captação de recursos via doações têm um alto custo em campanhas publicitárias, equipes para conseguir mais doadores, e isso pode custar até 45% do que é captado.  Queremos escapar deste modelo, procurando alternativas alinhadas à nossa forma de trabalhar, onde a maior parte do nosso esforço, tempo e energia são investidos no trabalho com as comunidades e com jovens empreendedores(as)”, reforçam.

Hoje, para o Instituto Elos, o maior desafio é conseguir transcender os modelos de doações mais comuns no Brasil, que estão ligados a apoios pontuais ou situações emergenciais. Dessa forma, buscam construir uma base de doadores que se sintam comprometidos com causas de longa duração.

Outra estratégia em desenvolvimento é buscar empresas que contratem os serviços e concordem em investir uma porcentagem a mais do valor para um fundo de projetos sociais com os quais não têm relação direta, como um compromisso social, sem que haja aí nenhum conflito ético ou de interesse.

Para Mariana e Ricardo, os desafios são grandes, o percurso tortuoso, mas não falta motivação entre a equipe para continuar crescendo e espalhando a Filosofia Elos Brasil adentro.

 

*O Instituto Elos foi um dos casos relatados no segundo fascículo da Coleção Mobiliza, que teve como tema “Modelo de financiamento autêntico”. Clique aqui para baixar a revista.

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