AzMina aposta em financiamento coletivo e diversifica iniciativas para manter propósito de jornalismo feminista independente

Criar e manter um jornalismo independente no Brasil não é tarefa fácil, principalmente se o tema principal também enfrenta desafios para ganhar espaço e se manter: combater os diversos tipos de violência que atingem as mulheres brasileiras, considerando as diversidades de raça, classe e orientação sexual.

Dispostas a mudar esse quadro, algumas profissionais se uniram em torno de um objetivo comum: criar a Associação AzMina. Para conseguir a liberdade que desejavam para sua atuação, as amigas apostaram em um primeiro crowdfunding – financiamento coletivo -, em 2015, que ajudou a criar o site, a estrutura burocrática e financiar as primeiras reportagens da revista online e gratuita, o projeto carro-chefe: “A revista sem fins lucrativos pretende construir um novo senso de beleza e dar ferramentas para que todas as mulheres brasileiras sejam ainda mais poderosas” – aponta o material de apresentação do veículo de comunicação. A revista aposta num jornalismo investigativo, mas também publica colunas de opinião, literatura e outros temas.

“Desde do primeiro crowdfunding que fizemos e conseguimos captar os R$52 mil previstos, ficou confirmada a nossa suspeita de que realmente estávamos oferecendo um tipo de material que viria preencher um buraco existe: as pessoas queriam um veículo que conversasse com mulheres e sobre mulheres”, conta Letícia Bahia, diretora institucional da AzMina.

Mas garantir que o projeto permanecesse em pé não foi simples. Até a primeira metade de 2016, o trabalho da equipe foi praticamente voluntário e o apoio dos leitores ajudaram a manter a revista funcionando. “Já fizemos outros crowdfundings para produzirmos novas reportagens e é sempre muito difícil. É um trabalho infinito da equipe, de mobilizar, de divulgar. O bom é que, os recursos que passam da meta, ficam livres para colocarmos em qualquer projeto e investir na manutenção da organização”, completa a diretora.

Para diversificar a sua fonte de receitas, a organização foi em busca de novas parceiras de empresas e editais, o que permitiu ampliar os investimentos em reportagens e criar uma nova área dentro d’AzMina, o Educacional, que oferece palestras, oficinas, workshops e cursos presenciais e online. Além disso, uma porcentagem dos valores recebidos de empresas por palestras realizadas pelo Educacional é revertida para financiar reportagens independentes.

A organização ainda promove eventos para aprofundar a discussão sobre os direitos da mulher e combater o machismo, além de criar campanhas de conscientização nas redes sociais.

Os diversos esforços da equipe já renderam vários reconhecimentos, como o Prêmio Synapsis (2015) e o Troféu Mulher Imprensa (2016). Ações e campanhas virais também foram premiadas como a #MaisQue70, que recebeu quatro leões em Cannes, o mais prestigiado festival de publicidade do mundo, e a parceria com o Cruzeiro #VamosMudarOsNúmeros, que levou um leão em Cannes.

Segundo Letícia, a organização tem conseguido avançar e conquistar novos seguidores nas redes sociais, o que sempre é muito positivo. Hoje, por exemplo, a página no Facebook tem mais de 127 mil curtidas. Porém, o desafio agora é reverter estes seguidores em doadores.

Uma nova estratégia adotada neste ano pela organização foi a criação de um financiamento coletivo recorrente (veja como participar) – que conta hoje com 367 assinantes – e a chegada de um profissional para ajudar na articulação com possíveis novos parceiros, como fundações. No entanto, há sempre uma reflexão interna da equipe de como estabelecer estas parcerias e ao mesmo tempo garantir a independência editorial da revista.

Uma aposta da associação é “transformar a publicidade num ato de responsabilidade social”. Para isso, AzMina tem adotado o que chamam de “conceito de publicidade amiga da mulher”. O convite é que os possíveis apoiadores possam ajudar a construir uma revista inteligente e divertida, que acredita no potencial de cada mulher em todos os sentidos.

“Não é tão simples. Como financiar um jornalismo independente? Essa é a nossa principal discussão interna. Estamos estabelecendo quais seriam as contrapartidas, sem impacto na produção editorial”, ressalta a diretora.

No site da organização, é possível encontrar as diversas formas de apoiar o trabalho, conferir as reportagens produzidas e ainda acompanhar de que forma os recursos estão sendo investidos, com uma prestação de contas abertas na seção ‘transparência’.

**A Associação AzMina foi um dos cases relatados no segundo fascículo da Coleção Mobiliza, que teve como tema “Modelo de financiamento autêntico”. Clique aqui para baixar a revista.

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